quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Avaliação do Volkswagen T-Cross: Opinião sincera de dono

Trata-se de um Volkswagen T-Cross Highline com o pacote Innovation. O veículo foi adquirido em junho/2019 e já rodou cerca de 5 mil quilômetros. Não incluí o pacote Sky view porque não uso teto solar. E não incluí o pacote Tech & Beats por duas razões. Em primeiro lugar, a Beats é uma daquelas marcas que não investe nada em qualidade, mas apenas em propaganda. A Beats produz um dos piores fones de ouvido do mundo em termos de qualidade de construção e qualidade sonora, mas ficou popular contratando pessoas famosas para fazer propaganda. Uma pena a VW ter se associado a essa marca. Segundo, ainda não me sinto confortável com a adoção de faróis em Led. Prefiro ter a opção de substituir apenas a lâmpada, ao invés de todo conjunto ótico. Se num futuro desenvolverem soluções em que seja possui reparar o Led, ao invés de trocar todo o conjunto ótico, aí sim vou aderir a essa solução.

Vale ressaltar que não se trata de um SUV, como propagado pela VW. Um carro para ser SUV precisa ter tração nas 4 rodas, o que não é o caso. O T-Cross, como o próprio nome indica, é melhor classificado como um crossover, ou seja, um carro de cidade que eventualmente pode rodar por uma estrada de chão leve. Para ser bem sincero, talvez o T-Cross não seja nem isso. Ele é o mais baixo dos principais concorrentes e, por causa do péssimo acabamento interno (como falarei mais a seguir), não aguenta nenhuma estrada de chão não.

Vamos agora à avaliação propriamente dita começando pelas vantagens.

Motorização excelente

A motorização desse carro é excelente. É um motor muito forte e que entrega força já em baixas rotações. Isso proporciona um prazer muito grande ao dirigir, e tranquilidade ao fazer ultrapassagens. Uma pena que a troca das marchas pelo câmbio automático não ajuda, como descreverei a seguir.

Se a motorização é a coisa mais importante para você, e você não quer comprar um Golf ou Jetta por que quer um carro um pouco mais alto, o T-Cross é o seu carro. Mas daí seria melhor comprar ele manual, como falarei mais a seguir.

Tecnologia razoável

O carro é razoavelmente completo em termos de tecnologia. O Active Info Display, apesar de pouco útil, como acabei descobrindo, é muito bonito. Uma das grandes vantagens do Active Info Display é colocar o sistema de navegação na tela principal. Mas o sistema de navegação deles é muito ruim e, com o Android Auto ou o CarPlay, você vai acabar preferindo usar o Waze do celular mesmo. Detalhe: nem o Android Auto nem o CarPlay espelham para a tela principal. Só espelha para a tela principal o sistema de navegação nativo do carro e algumas poucas outras funções também nativas. Mas recomendo o pacote Innovation mesmo assim pois ele acompanha uma central multimídia um pouco maior e mais bem acabada. Tivesse a VW oferecido de série o acabamento melhor da central multimídia, o pacote Innovation seria desnecessário. 

Fica devendo o aviso de proximidade e frenagem automática em caso de colisão iminente, algo que já é oferecido em diversos outros carros. Também senti falta da abertura e fechamento automático da tampa do porta-malas, que é muito pesada e ruim de abrir e fechar.

Design sóbrio

Eu particularmente gosto muito do design desse carro (apesar de preferir o Creta). Isso é muito pessoal, mas acredito que as linhas mais sóbrias da VW vão agradar a grande maioria das pessoas. Esse carro geralmente chama a atenção por onde passa, especialmente se você tiver comprado o bronze ou outra cor similar.

Foto: Arquivo pessoal.

Espaço interno generoso para os passageiros

O espaço interno para os passageiros é generoso tanto na frente como atrás. Aliás, por ser um crossover, a posição de dirigir é muito boa. É tranquilo dirigir por horas a fio sem desconforto algum. O relevo central no piso traseiro existe mas é razoável e não incomoda tanto assim quem está atrás. Obviamente que poderia nem existir, já que o carro não possui transmissão atrás.

Passemos às desvantagens.

Acabamento interno péssimo

O acabamento interno é muito ruim, digno de um Gol ou pior. Nos encaixes, em especial das portas, é possível ver as rebarbas do corte do plástico. Os materiais tanto do painel como das portas são muito rígidos e, por isso, fazem muito barulho. O plástico é tão ruim que o porta-óculos quebrou na 3ª vez que tentei fechar. Apesar de ser um crossover, não existe nenhum cuidado para evitar barulhos internos. Já peguei estradas de chão que nem estavam tão ruins assim, e a impressão é que os plásticos das portas vão cair. As portas, incluindo a tampa do porta-malas, também são muito difíceis de fechar, provavelmente devido ao fato de que só existe borracha de um lado. Em carros melhores, tanto a porta como o carro possuem a borracha, o que permite um fechar mais "leve". É necessário bater a porta com muita força para ela fechar, coisa de carro popular mal feito. 

Outro grave problema tem a ver com o revestimento dos bancos. A VW não usa mais couro natural. Só que o sintético é muito inferior. Como no final das contas é um plástico, ele não se ajusta às costuras. Observando as costuras de perto, a impressão que se tem é que elas vão rasgar a qualquer momento. Os pontos já estão todos abrindo.

[Atualização] Não se isso se encaixa em acabamento, mas a carroceria desse carro é muito "mole". Passe em qualquer quebra-mola, mesmo bem devagar, que você vai escutar a carroceria se contorcendo e barulhos de plásticos se movendo no interior do veículo. Talvez isso explique também o barulho de rodagem que o carro faz nas curvas, mas ainda acho que esse carro além de tudo tem um grave problema na geometria.

[Atualização] Outro ponto grave neste carro é o mistério do para-brisa que embaça por dentro. A gente vai lá e limpa, mas com 3 dias ele embaça novamente. A impressão é que alguma substância está evaporando do painel e grudando no para-brisa, provocando o embaçamento.

A Volkswagen pecou muito no acabamento desse carro. O acabamento é ruim a tal ponto de me arrepender da compra. Não recomendo de forma alguma a compra desse carro justamente por isso

Poderia parar por aqui, mas vamos continuar com outras desvantagens.

Câmbio ruim

O câmbio automático (sim, é realmente automático e não de dupla embreagem) desse carro é do tipo "8 ou 80". Se você deixa no modo normal ("D"), o carro não sai do lugar. Isso atrapalha bastante sair em retornos com trânsito intenso ou fazer ultrapassagens rápidas. Daí existe o modo esportivo ("S"). Nesse modo o carro fica bem mais esperto. Mas demora demais passar as marchas. Em várias situações observo o giro do motor ir lá em cima sem necessidade alguma. Por várias vezes, andando devagar, o câmbio mantém a 1ª marcha, o que é muito desagradável. No trânsito da cidade, no modo "S", geralmente não passa da 3ª marcha.

Consumo inexplicável

Logo após tirar o carro da concessionária, nos primeiros mil quilômetros, conseguia fazer em torno de 12km/l na cidade. Depois de um tempo, contudo, o consumo caiu para 10km/l. Para fazer mais do que isso é necessário andar muito devagar. O carro não é tão pesado assim para justificar esse consumo. Deveria fazer fácil uns 12km/l e uns 14km/l andando devagar. Não faz.

Porta trecos inexistente

Esse carro não possui porta trecos. O porta-luvas é minúsculo por causa do drive de CD-ROM. Mal cabe o manual do carro e o documento do veículo. O espaço abaixo do encosto de braço também é minúsculo por causa do duto de ar-condicionado que passa por baixo e vai para os passageiros que sentam atrás. No meio também só existe os dois porta-copos, pois o freio de mão manual ocupa praticamente todo o espaço. Embaixo da console central não cabe nem um celular. Se você conectar o celular no cabo para usar o Android Auto, por exemplo, fica complicado, pois não há como acomodar corretamente o celular e o cabo. Às vezes, em uma frenagem ou curva, o celular se desloca e dá mau contato no cabo, travando o Android Auto. Não há também nenhum local adequado para deixar a chave. Existem espaços livres embaixo dos bancos, mas a VW não aproveitou para nenhum porta-treco. Só mesmo comprando uma bolsa e colando lá com velcro.

Outra coisa que incomoda bastante é a falta dos "puxadores" de teto (famoso "eita porr..."). A VW quis simplificar o projeto, mas esqueceu de prover uma alternativa. Fica complicado, por exemplo, pendurar roupas da lavanderia. Ela até tentou colocar um ganchinho na coluna central, mas ele é ridiculamente pequeno - não comporta sequer um cabide!

Start-stop incomoda

Não é possível desligar o start-stop permanentemente. A cada partida o start-stop é ativado. Assim, a única opção para não desgastar a sua bateria é lembrar de desligar manualmente a cada partida.

Conclusão: Não compre!

Para o T-Cross ficar realmente interessante, a VW tinha que pelo menos melhorar o acabamento interno e o câmbio. O câmbio precisava ter mais um modo de condução intermediário entre o "D" e o "S". Outra coisa que incomoda bastante é a falta de porta-trecos. Talvez se o freio de mão fosse eletrônico haveria mais espaço na console central. E isso que não mencionei outros problemas bem graves, como o recall do eixo traseiro (peça fora de especificação? cadê o controle de qualidade?), o barulho de rodagem que o carro faz nas curvas (problema na geometria da suspensão ou diferencial?), o barulho de água atrás do painel etc...

Por tudo isso, não recomendo a compra desse carro. Um crossover ideal desse porte seria uma mistura do acabamento do Hyundai Creta, que por sinal tem um design excelente também e um porta malas maior, com a motorização do Volkswagen T-Cross. Enquanto essa opção não existe, melhor adiar a compra ou partir para um Volkswagen Tiguan ou a Nova Tucson que, apesar de mais caros, possuem motorização atualizada e bom acabamento interno.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Reforma de um apartamento antigo - Lições aprendidas


Há cerca de 6 meses conclui a reforma de um apartamento antigo aqui em Brasília, DF. Foi a minha primeira reforma e, obviamente, cometi diversos erros e me arrependi de várias decisões. Seguem algumas lições aprendidas que talvez possam te ajudar a tomar boas decisões.

1. Divida o projeto arquitetônico em duas fases: primeiro a demolição, depois o projeto propriamente dito

Contratar um arquiteto é essencial. Mas em se tratando de uma reforma, ainda mais de um apartamento, surpresas podem ocorrer. Mesmo que o arquiteto use um detector de pilares, vigas, colunas de encanamento do prédio etc... ainda sim podem haver surpresas. Por isso, é melhor separar o projeto em duas fases. Primeiro, já tendo alguma ideia do que você pretende fazer, peça para o arquiteto um projeto de demolição. E contrate uma equipe só para essa fase. Vai sair mais caro contratar só a demolição separada do resto? Provavelmente. Mas a tranquilidade que você terá durante a execução da segunda fase não tem preço. Além disso, você pode até ganhar algum tempo. Como a demolição pode ser iniciada prontamente, talvez o arquiteto aproveite este tempo para já ir começando o processo criativo. Além disso, durante a execução da segunda fase, você não perderá tempo contornando eventuais surpresas.

2. Fazer o projeto hidráulico e elétrico detalhados é essencial

A minha arquiteta me convenceu a não contratar esses projetos e no final me arrependi. Por conta da falta deles, a execução da obra foi comprometida e diversos problemas que poderiam ter sido evitados tiveram que ser contornados. Por exemplo, como não havia projeto hidráulico detalhado, um cano foi passado em uma área do forro de gesso que, depois, acabou prejudicando a instalação da própria iluminação. Além disso, depois foi uma dor de cabeça lembrar onde os canos estavam e onde poderíamos furar a parede para instalação de armários etc... Alguns arquitetos até fazem o projeto hidráulico mas é muito raro encontrar algum que faça o projeto elétrico. Não estou me referindo apenas aos pontos de luz, tomadas, interruptores etc... Isso eles já incluem no projeto. Estou me referindo aos circuitos, tubulação etc... Então muito provavelmente você precisará contratar um engenheiro elétrico também, mas geralmente trata-se de um projeto bem mais barato do que o arquitetônico.

3. Proponha ao vizinho do andar de baixo uma vistoria antes da demolição e obra

Quando minha reforma terminou, minha vizinha me procurou para solicitar o reparo de diversos problemas no apartamento dela. Chegando lá tive a impressão de que alguns daqueles problemas já estavam lá há anos, mas mesmo assim acabei sendo obrigado a arcar com todos os reparos. Para evitar problemas como esse, a melhor coisa é fazer uma vistoria antes da demolição, que é a fase com maior potencial de causar danos no vizinho de baixo. Tire fotos de todas as paredes, tetos e juntas. Tire também fotos de portas e armários. Lavre um termo de vistoria, anexe as fotos e peça para o vizinho assinar. Isso vai evitar muita dor de cabeça futura.

4. Não existe contrato de administração de reforma do tipo "me entregue apenas as chaves"

Contratar um administrador de obra é essencial. Muitos não fazem isso, ficam traumatizados com a quantidade de problemas que precisam resolver e no final acabam gastando a mesma coisa. E um administrador de obra vai te ajudar bastante nas compras de material, que é o que toma mais tempo. Mas um administrador de obra, por melhor que seja, como foi justamente o meu caso, não é muito detalhista. Se você não ficar em cima, muitos detalhes serão esquecidos. Então sua presença diária na obra é imprescindível. Minha dica é tentar colocar o maior número de detalhes no contrato de administração da obra. Quem sabe assim ele se obriga a ser mais detalhista.

5. Não faça cimento queimado

Cimento queimado é muito bonito e voltou à moda com tudo, ainda mais em projetos mais "modernos", "industriais" ou "rústicos". Só que esse acabamento era muito comum antigamente. Hoje em dia simplesmente muitos profissionais sequer aprenderam a fazê-lo. O problema é que acabam dizendo que sabem. No meu caso me arrependi amargamente. O piso ficou muito trincado por falta de cuidado com a umidade durante a cura do cimento. Além disso, trata-se de um piso que arranha muito fácil se envernizado e, caso opte pela resina, vai ficar esbranquiçado. Não faria novamente se tivesse a chance. Existem pisos similares mais modernos, como o P500 ou P600 por exemplo, que são executados por empresas especializadas e prometem resultados melhores. Mas não recomendo o chamado microcimento ou cimento monolítico pois já vi aplicado e ele é muito frágil. Para vocês terem uma ideia, meu irmão utilizou microcimento da Microreve na cozinha dele e, só de fastar a geladeira para limpar, o peso da geladeira fez o piso afundar, deixando várias marcas das rodinhas da geladeira.

6. Não use Corian, Tresol etc... nas bancadas

Corian é lindo e as emendas são praticamente invisíveis. Mas os benefícios param por aí. Apesar de toda a propaganda, Corian é poroso sim, arranha super fácil e mancha com o calor. Eu comprei sabendo de tudo isso, só não imaginava que fosse tão ruim. Ele é tão poroso que qualquer mancha precisa ser limpa imediatamente, do contrário você terá que polir depois. Inclusive, se algum local ficar molhado muito tempo, vai mofar de forma muito similar ao silicone. Ele arranha tão fácil que, passados apenas cerca de 6 meses de uso, ele já perdeu completamente o brilho. Os vendedores falam muito das emendas invisíveis, mas a verdade é que, dependendo da cor, é possível perceber elas sim. Não compraria se pudesse voltar no tempo. Granito ou materiais mais modernos como o Dekton seriam minha opção. Nisso a minha arquiteta avisou mas fui teimoso.

7. Se a marcenaria tiver muitos detalhes, contrate um marceneiro não uma loja

Lojas, mesmo as mais caras e sofisticadas, não sabem executar projetos de marcenaria muito detalhados, que era justamente o meu caso, apesar de muitas prometerem justamente isso. Lojas costumam apenas adaptar módulos de tamanhos prédefinidos. Os ajustes geralmente são feitos apenas no momento da instalação e o acabamento final das peças ajustadas não fica 100%. No final, tive que abrir mão de alguns detalhes e ainda foi necessário contratar um marceneiro para resolver problemas pontuais. Ficou muito claro que teria sido melhor contratar um marceneiro desde o início.

8. Se for utilizar aquecimento à gás, pense no isolamento térmico da tubulação

Para aproveitar melhor a energia do gás gasto no aquecimento, é importante utilizar algum material para o isolamento térmico da tubulação de água aquecida. Recomendo fazer o fechamento dos cortes nas paredes com espuma expansiva. O cimento é um péssimo isolante térmico e vai roubar o calor existente na tubulação. Isso deixará a tubulação sempre fria e levará mais tempo para esquentar a água toda vez que for utilizar água quente. Aquecimento à gás é muito comum em outros países onde justamente não se usa alvenaria e sim estruturas de madeiras preenchidas com espuma expansiva.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

8 dicas para escolher um bom software livre para sua empresa


Escolher um software livre nem sempre é tarefa fácil. Geralmente existem algumas alternativas, cada qual com seus pontos fortes e fracos. Quando o software é para sua empresa, então, a tarefa é ainda mais difícil. Você não vai querer investir esforços e tempo na adoção de um software para só depois descobrir que a escolha não foi boa. O que pode ser feito para diminuir esse risco? As dicas abaixo podem ajudar.

1. Projeto está ativo

A primeira coisa a ser verificada é o projeto de desenvolvimento do software. Muitos projetos são abandonados depois de algum tempo. É claro que um projeto pode ser abandonado a qualquer momento. Mas outra coisa é adotar um software que já esteja abandonado. Para evitar que isso aconteça, consulte o site do projeto (Github etc). Verifique se ele ainda está ativo, ou seja, se existe alguma atividade recente (novas versões, commits etc).

2. Projeto é maduro

A maioria dos projetos geralmente é abandonada no seu início. Assim, escolher um projeto maduro diminui o risco de ele ser abandonado no médio prazo. Há quanto tempo um projeto precisa existir para ser considerado maduro? Bom, isso é muito subjetivo. Mas acredito que um projeto com pelo menos dois anos já seja um excelente ponto de partida. Projetos maduros, além de terem uma expectativa de vida maior, costumam ter menos bugs.

3. Comunidade está ativa

Um projeto de software não é formado apenas pelos seus desenvolvedores. Para existir, ele depende também de uma comunidade de usuários. Assim, é importante que exista um fórum ativo. A quantidade de moderados e de usuários de um fórum diz muito sobre o software em questão. Existem posts recentes? Os posts recentes estão sendo respondidos? O fórum está em inglês?

Caso não exista um fórum, talvez exista uma lista de distribuição para troca de e-mails.

4. Documentação

Você não pode depender apenas da comunidade para tirar suas dúvidas. É importante que exista um mínimo de documentação (roteiros de instalação, configuração etc...). É bom que essa documentação esteja disponível e atualizada de acordo com as últimas versões do software. Se a plataforma de documentação for colaborativa (Wiki etc...), melhor ainda.

5. Registro de bugs

Nenhum projeto é perfeito. Então precisa existir uma forma de a comunidade fornecer feedback sobre os bugs e problemas encontrados. A melhor forma de se fazer isso, na minha humilde opinião, é por meio de um site de registro de bugs (Jira, Bugzilla, Tracker etc...).

6. Internacionalização colaborativa

Uma boa forma de expandir a adoção de um software é se preocupando com a sua internacionalização. Se ela for colaborativa, a chance de isso ocorrer vai ser ainda maior. Verifique se existe alguma plataforma onde a comunidade possa colaborar com a internacionalização do software (Transifex etc...).

7. Suporte técnico

Utilizar software livre geralmente é muito mais barato do que obter licenças de um software proprietário. Mas como qualquer outro software, existe uma curva de aprendizado para dominar a configuração da ferramenta. Pode acontecer das pessoas na sua empresa que possuem esse capital intelectual saiam. Por isso, dependendo da situação, talvez sua empresa precise contratar um suporte técnico para manter as coisas funcionando. Ter um software livre é bom, mas poder contar com um suporte técnico quando você precisar é ainda melhor. Então é prudente verificar se existem empresas que possam prestar esse tipo de serviço para uma eventualidade.

8. Blog sobre novidades

Em alguns casos os desenvolvedores mantém um blog para falar das novidades das últimas versões e, melhor ainda, do roadmap do que será lançado no futuro. Fica muito mais fácil adotar um software sabendo dessas coisas, então é algo certamente desejado.


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Como passar em um concurso público

Recentemente eu me vi em uma situação interessante. Uma pessoa da família começou a estudar para um concurso público. O interessante é que eu passei a ver de perto o que, acredito, seja o comportamento da grande maioria das pessoas que estuda para passar em algum concurso público. Essa observação me fez entender melhor porque a grande maioria das pessoas não tem a menor chance de passar em um concurso. O problema é que as pessoas querem uma receita mágica para passar em concursos, e daí saem a procura de um método que prometa resultados mágicos.

Cuidado com métodos que prometem resultados milagrosos

Sempre discordei daquelas pessoas que se auto denominam especialistas em concursos. Essas pessoas escrevem livros, blogs, ou postam vídeos no YouTube defendendo métodos de estudo que elas mesmo inventaram. Muitos parecem até interessantes. O problema é que esses métodos não possuem nenhum respaldo científico. São métodos que, às vezes, deram certo para essas pessoas. Às vezes nem isso. Às vezes são apenas uma racionalização de algo que essas pessoas acreditam terem ajudado elas a passar no concurso.

Esses métodos seriam inofensivos se não fossem duas coisas muito simples: você vai gastar tempo para aprendê-los e muito provavelmente eles vão desviar o seu foco do que é mais importante, o conteúdo. É o domínio do conteúdo, não de um método de aprendizado milagroso qualquer, que vai fazer você passar em um concurso. Mas daí você talvez diga que o método vai ajudá-lo a conseguir dominar o conteúdo. Talvez. Você vai arriscar e diminuir ainda mais suas chances de passar?

Existe um método consagrado?

Há anos que a humanidade utiliza um método de estudo consagrado. Foi graças a esse método que a humanidade chegou aonde estamos hoje. Esse método é tão natural que todo mundo utiliza ele desde criança e nem se apercebe disso. Trata-se de um método muito simples: ler ou escutar um conteúdo e refletir sobre ele.

Por isso, aqui vai uma dica de quem passou em diversos concursos públicos: não confie em dicas de quem passou em diversos concursos públicos. Confie no método que você conhece e que sempre deu certo no seu caso e de bilhões de outras pessoas. E esse método, muito provavelmente, consiste tão somente em ler e refletir.

O que é mais importante?

Vencer o conteúdo de um edital de concurso público é muito mais importante do que qualquer método. Inclusive, vencer o conteúdo é muito mais importante do que fazer exercícios de provas anteriores. É claro que, se você tem tempo, faça exercícios. Eles vão te ajudar a fixar o que você já estudou. Mas entenda que se você não tiver estudado aquele conteúdo, não há nada para fixar. Leia, reflita, anote os pontos que não lhe parecerem muito lógicos. Faça exercícios se tiver tempo. Mas acima de tudo, leia. E leia com atenção. Leia sabendo que aquela informação é importante. Leia rápido aquilo que parecer mais lógico, e leia devagar aquilo que não parecer tão lógico assim.

Conclusão

A grande maioria das pessoas não tem a menor chance de passar em um concurso porque elas não leem. Não porque elas deixaram de usar esse ou aquele método. Aliás, prova de concurso público é 50% interpretação de texto. E quanto mais você ler, mais vai desenvolver a sua capacidade de interpretação. Vai conseguir ler e entender mais rápido. Vai ter mais tempo para vencer o conteúdo. Vai conseguir responder às questões mais rapidamente. Vai conseguir responder a todas as questões. Vai ter mais facilidade para escrever a redação, se for o caso.

E para aqueles que fazem questão de um método aqui vai. Escolha um tópico do edital. Leia algo sobre aquele assunto até sua mente cansar. Depois passe para outro assunto e faça o mesmo. Depois de vencer 100% do conteúdo do edital, se sobrar tempo, faça exercícios de provas anteriores. Isso vai te ajudar a recapitular o conteúdo. Se errou alguma questão por um motivo obscuro, revise aquele conteúdo. Simples assim.

Boa prova!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Minha "teoria" sobre intolerância à lactose

Profissionais de especialidades diferentes têm visões diferentes sobre a intolerância à lactose. E pessoas que enfrentam esse problema não querem conviver com ele. Querem, isso sim, revertê-lo.

Quando os sintomas começaram a me incomodar, procurei um médico gastro. Do ponto de vista dele, minha intolerância se resumia a meu corpo não produzir mais a enzima lactase. Simples assim. Para ele, eu tinha que me abster totalmente de alimentos com lactose, por pelo menos 3 meses, para que meu corpo se curasse de uma inflamação causada pelo aumento de bactérias que se alimentava da lactose não digerida. Em nenhum momento ele levantou a possibilidade de analisar as causas disso tudo e do porque de eu ter desenvolvido os sintomas em menos de um ano. Isso me incomodou, já que a maioria das pessoas que conheço não tem intolerância a lactose ou, se tem, não apresenta os sintomas. Intolerância à lactose, na minha opinião, não é algo normal como dizem os médicos.

Os nutricionistas, por sua vez, tampouco estão preocupados em entender as causas. Já foram logo se encarregando de me passar uma dieta substituindo os alimentos com lactose por outros. Simples assim. Analisar as causas nem pensar.

Outros especialistas analisaram aspectos diferentes, mas nunca demonstraram a menor preocupação com a causa. O discurso era sempre o mesmo: o ser humano não foi feito para consumir leite animal. Me recuso a acreditar nisso, pois o leite animal sempre fez parte da alimentação da humanidade.

Eu trabalho com tecnologia. Fui programador por muitos anos. Por isso, sempre procurei tentar ver a lógica por trás das coisas. Para mim, que se alimentou com produtos à base de leite a vida toda, não fazia sentido ter uma intolerância à lactose que se desenvolveu em menos de um ano para um ponto em que era impossível comer algo com lactose sem ter uma diarreia. Eu procurava sempre a lógica por trás disso. E acho que encontrei.

Curiosamente, desenvolvi a intolerância justamente após me casar. Nessa época, por conta das mudanças na rotina e também por começar a viver com outra pessoa, mudei diversos hábitos, especialmente os alimentares. Daí comecei a imaginar que minha intolerância tinha a ver com essas mudanças. Comecei a observar um padrão similar em outros amigos recém casados e, claro, comecei a fazer perguntas sobre os hábitos alimentares deles. 

Depois de analisar tudo, levanto as seguintes hipóteses de causas da intolerância à lactose (podendo ser uma ou a combinação de várias):
  • Trocar a água mineral (garrafões) por água filtrada (especialmente se o filtro for pequeno, geralmente de torneira). Sou leigo, mas imagino que o cloro da água que vem da torneira esteja prejudicando a flora intestinal. Inclusive, quando viajo, praticamente só bebo água mineral, e curiosamente os sintomas da intolerância são suspensos (ocorre o mesmo com outros amigos).
  • Comer queijo do tipo brie regularmente. O queijo do tipo brie, especialmente daqueles que vendem aqui no Brasil, é "pulverizado" com uma camada de fungos (aquela parte branca). Minha suspeita é que esses fungos são antibióticos e destroem a flora intestinal, colonizando ela com fungos, daí as bactérias nunca voltam. Curiosamente, os fungos utilizados no queijo do tipo brie são os mesmos utilizados na fabricação de penicilina.
  • Beber vinho regularmente. Esse foi mais um padrão observado em todos os casos. Tanto eu como meus outros amigos com o mesmo problema aumentaram muito o consumo de vinho logo antes de apresentar os sintomas. Sabe-se que a grande maioria dos vinhos contém conservantes. Minha suspeita é que esses conservantes também são responsáveis por destruir a flora intestinal.

Conclusão

Longe de querer encontrar a cura para a intolerância à lactose, minha intenção aqui é apenas levantar hipóteses de causas. Acredito que uma boa digestão depende muito da nossa flora intestinal. Sem ela, realmente não vamos conseguir digerir tudo. Além disso, é a flora intestinal que mantém a população de fungos e outras coisas sob controle. Sem ela, os fungos se proliferam, liberando toxinas e causando a inflamação das paredes do intestino que, por sua vez, para de produzir as enzimas na quantidade necessária para uma boa digestão.

Com essas hipóteses em mente, minha meta agora é cuidar bastante da minha flora intestinal. Minha dieta agora vai incluir mais alimentos pró-bióticos e menos vinho e menos outros alimentos antibióticos.

E você? Tem alguma teoria?

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Emagrecer só depende de você


Se você engordou por causa de algum problema de saúde, seja hormonal seja o que for, procure um médico. Mas talvez o problema seja seu estilo de vida. Como assim? Continue lendo.

É chocante a quantidade de pessoas que gastam dinheiro à toa para emagrecer. 

Por exemplo, muitos vão ao nutricionista só para ouvir aquilo que elas já estão cansadas de saber: Corta o açúcar, diminua os carboidratos etc. Não sou contra os nutricionistas. Muito pelo contrário. O problema é que a grande maioria das pessoas já sabe o básico, mas nem isso consegue fazer, e continua indo ao nutricionista só para gastar dinheiro. Se você não consegue cortar o açúcar da sua alimentação, acha mesmo que vai conseguir seguir uma dieta? Para que, então, gastar dinheiro com nutricionista, se nem o básico você tentou?

Outra coisa tem a ver com a atividade física. O que adianta pagar uma academia, se você não tem coragem nem de usar as escadas para chegar ao seu apartamento? Ou, quem sabe, estacionar o seu carro um pouquinho mais longe para fazer uma caminhadinha até o trabalho? Se nem isso você consegue fazer, acha mesmo que vai ter disciplina para frequentar uma academia? Aliás, tem coisa mais contraditória do que pegar o elevador, ou o carro, para ir até a academia? Ou você é daqueles que quer emagrecer e não tem coragem sequer de ir até a padaria andando?

Emagrecer, para alguns, pode ser uma questão de estilo de vida. Comece pelo básico que está ao seu alcance. Não custa nada, e só depende de você.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Pare de se lamentar, veja onde a crise vai parar e se prepare para isso

Há cerca de 8 meses atrás publiquei um artigo "avisando" que uma grande crise econômica estava chegando. Apesar de na época muita gente achar que o texto era excessivamente pessimista, diversos outros blogs já vinham escrevendo sobre isso há muito mais tempo do que eu. Então o assunto não era novidade para ninguém. "Avisando" foi só uma figura de linguagem. Mas a ideia do artigo foi somar mais um aviso e ajudar as pessoas a se prepararem para a crise, ou pelo menos tomarem consciência dela.

Oito meses se passaram, e agora ninguém tem mais dúvidas quanto à crise. O Tesouro Nacional está falido. O fundo da Previdência Social está quebrado. A inflação só aumenta. E a economia vai de mal a pior. Mas isso é só o começo. Precisamos parar para pensar sobre onde essa crise vai parar. No outro artigo, meu foco foi preparar as pessoas para perderem seu emprego. Mas e o resto? O que vai acontecer com o nosso estilo de vida? É sobre isso que vou escrever agora.

Não é preciso muita imaginação, nem conhecimento econômico, para prever o que vai acontecer nos próximos meses. Basta ter um pouco de memória e lembrar como era a vida nas décadas de 80 e 90. Aliás, a ideia é justamente voltar no tempo, no pleno sentido dessa expressão. Em uma crise como a que nós estamos vivendo, a palavra chave é retrocesso. E retrocesso econômico gera todo tipo de retrocesso, inclusive tecnológico. Prepare-se para uma volta no tempo. Prepare-se para perder acesso a coisas que hoje parecem normais. Vamos falar sobre algumas delas.

Viagens de avião

Antigamente, viajar de avião era coisa de gente rica, classe alta. Classe média viajava mesmo era de ônibus. Lembro que meu pai só viajava de avião quando se tratava de uma viagem a trabalho paga pela empresa. Fora isso, qualquer viagem era feita de ônibus ou de carro. É justamente isso que vai acontecer. Viajar para São Paulo pagando até 300 reais? Nem pensar. Os principais insumos da aviação civil são precificados em dólar. Então se prepare para passagens aéreas a partir de 1000 reais o trecho. Promoções serão raras! Aliás, estão fazendo muitas promoções agora simplesmente para preencher voos já comprometidos. Mas diversos trechos já estão sendo cancelados por falta de demanda. O efeito é multiplicador, ou seja, uma "bola de neve". Funciona mais ou menos assim. O preço aumenta um pouco e a demanda cai um pouco. Como a demanda cai, diminui o ganho de escala da empresa de aviação. Diminuindo o ganho de escala, a empresa precisa aumentar um pouco mais o preço. E aí o ciclo se repete até a crise se agravar de vez e apenas os ricos conseguirem comprar uma passagem: Justamente como era nas décadas de 80 e 90! Classe média viajando para o exterior? Só em sonho mesmo.

Oferta e variedade de produtos

Hoje quando você vai ao supermercado comprar açúcar, pode se dar ao "luxo" de escolher uma dentre várias marcas e opções. Mas não era assim há 20 anos atrás. Haviam 2 ou 3 opções no máximo. Isso vai ocorrer em vários segmentos. 

Um deles será o de automóveis. Não estou dizendo que só vai sobrar Volks, Fiat, Ford e GM. As outras vão continuar existindo mas, como era há 20 anos, só vão estar acessíveis a quem realmente for rico. Classe média vai ter que se contentar novamente com carros do nível do Gol e Palio.

Algo que vai encarecer bastante também são os produtos de informática em geral, incluindo aí smartphones, computadores, notebooks, televisores e câmeras fotográficas. Há 20 anos atrás não era fácil ter esses equipamentos em casa. Havia até consórcios para esse tipo de produto. Muita gente tinha computador, por exemplo, mas era um bem que pesava bastante no orçamento. Isso já está acontecendo. Notebooks razoáveis por 2 mil reais ou menos? Esqueça!

Telefonia e internet

Nesse caso, não acho que vai ocorrer uma retração a ponto de voltarmos para a conexão discada, como acontecia na década de 90. Mas a telefonia e internet no Brasil vão estagnar e, comparadas com o resto do mundo, a nossa sensação vai sim ser como se estivéssemos novamente utilizando uma conexão discada. A infraestrutura de telecomunicações vai ficar sucateada com o tempo, devido ao alto custo de manutenção e demanda estagnada. Então se prepare para constantes quedas e indisponibilidades no serviço. A qualidade vai piorar.

Saúde

A saúde hoje está longe do ideal. Mas há 20 anos atrás quem não tinha plano de saúde simplesmente morria. O tempo foi passando e os planos de saúde se tornaram cada vez mais populares. Ao mesmo tempo, a saúde pública também melhorou um pouco. Com a falência do Governo, a tendência é o sucateamento dos hospitais. UTIs e centros cirúrgicos vão fechar e virar novamente coisa de gente rica.


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O que uma impressora portátil tem que ter?

Trak Concept

Eu não consigo entender esses fabricantes. Ou eles acham que os consumidores são idiotas, ou os idiotas somos nós consumidores que compramos porcaria. Vamos analisar, por exemplo, as funcionalidades que uma impressora portátil deveria ter.

Primeiro, para ser considerada portátil, ela deve ser leve e o menor possível. Mas não é só isso. Para ser realmente portátil, deve ser possível utilizá-la sem cabos. E isso significa que ela deve ter uma bateria, por menor que seja e wi-fi. Aliás, várias impressoras mais novas, mesmo as não portáteis, já oferecem wi-fi, então não dá para aceitar uma impressora portátil sem isso. Até os celulares mais baratos hoje em dia oferecem wi-fi.

Curiosamente, nenhuma impressora portátil atualmente oferecida no mercado apresenta essas características. A HP, por exemplo, oferece a Officejet 100 Mobile. De "mobile" ela só tem o nome. Sem falar que é um produto caríssimo. Ela custa R$1.200,00 , ao passo que que é possível encontrar multifuncionais por menos de R$300,00. Ridículo!

A Epson oferece um produto com todas essas características, mas não está disponível no Brasil e, mesmo lá fora, é difícil de encontrar. Na Amazon, por exemplo, existe apenas um produto listado.

Realmente não consigo entender esses fabricantes.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Lojas de veículos usados reclamam da crise, mas baixar os preços que é bom... jamais!

Qual é o preço justo de um veículo usado?

Acho engraçado a "choradeira" das lojas de usados [e também dos particulares que não estão conseguindo revender seus veículos usados]. Reclamam da crise, que nunca tiveram um semestre tão ruim, mas baixar os preços que é bom... jamais! Preferem não vender, não movimentar o mercado, do que parar de especular e vender o carro no preço justo. Mas a questão é: O quê exatamente é um preço justo?

Os brasileiros em geral infelizmente não sabem o que é um preço justo de um carro (isso vale para bens usados em geral). Ainda vivem uma espécie de fantasia na qual carro é investimento, enquanto que no resto do mundo carro é simplesmente um bem de consumo que você compra, usa e "joga fora", ou vende bem baratinho como qualquer outro bem de consumo. Mas não! Os brasileiros preferem encarar um carro como investimento e até se endividam horrores achando que estão investindo em algo que vão resgatar no futuro. Ledo engano. Um pensamento equivocado que remonta ao tempo em que linha telefônica era um investimento de luxo.

A única coisa certa que vai acontecer com um carro zero depois que você tirar ele da loja é desvalorizar. Ah, mas você pagou caro no carro e por isso quer vender ele, depois de usado, caro também? Problema seu. A desvalorização de um carro funciona assim. No primeiro ano desvaloriza 20% e nos anos seguintes 10%. Porque isso? Bom, esses 20% de desvalorização no primeiro ano representam justamente aquilo que na verdade não deveria ter valor algum: o luxo e a vaidade de comprar um carro zero com cheirinho de novo, e a ilusão de que a garantia de fábrica do carro vale o "investimento" a mais. Os outros 10% de desvalorização anuais são a depreciação normal do bem que acomete quase todos os bens de consumo que existem: Representam o desgaste natural das peças, a desatualização tecnológica e assim por diante. Então, ao final de 5 anos de uso, um carro vai valer apenas cerca de 52% do seu valor de novo. Então se você  comprou um carro zero a 5 anos atrás por R$100.000,00, deveria vender ele hoje pelo preço justo de R$52.488,00 -- nem um centavo a mais!

Resolvi escrever este post porque acabei de reencontrar uma amigo que está há quase 1 ano tentando vender um BMW que custa zero R$130.000,00, mas já tinha cerca de 5 anos de uso. Há quase 1 ano atrás, ele estava pedindo R$85.000,00. 'Oh, uma diferença de R$45.000,00' você talvez pense, um ótimo negócio... Só que não! Só uma pessoa mal informada compraria esse carro por esse preço. Melhor seria comprar um zero do que investir R$85.000,00 em um BMW com 5 anos. Perguntei a ele quanto que ele estava pedindo agora e ele disse que havia baixado para R$67.000,00 e ainda não tinha vendido. Fiz um cálculo de cabeça e disse a ele que o preço agora não estava tão ruim quanto antes, mas que ele só ia vender rápido quando chegasse em R$62.000,00. Este seria o preço justo. Qualquer preço acima disso não seria um bom negócio e dependeria, como já disse, de uma pessoa mal informada para comprar. É claro que ele só faltou me bater, mas essa é a realidade dos bens de consumo. Se ele prefere se iludir e achar que carro é investimento, o problema é dele.

Na semana passada comprei um carro com 4 anos de uso que zero custou R$75.000,00. Paguei R$43.000,00, um ótimo negócio, pois o preço justo dele era R$43.740,00. Aliás, era mais ou menos esse o preço na Tabela FIPE, mas foi difícil encontrar esse carro por menos de R$45.000,00. A ilusão dos proprietários e vendedores é tão grande que nem a Tabela FIPE consegue convencê-los (mas em alguns casos ela não é confiável). Não vou nem desejar boa sorte a eles, pois acho isso um absurdo. Atitudes como essas só servem para inflacionar o mercado, inclusive de carros zeros. Se mais pessoas vendessem seus usados por preços mais coerentes com a realidade dos bens de consumo, quem sabe até os novos também baixariam de preço, como ocorre em outros mercados. A culpa dos preços altos de carros aqui no Brasil é em grande parte das próprias montadoras e revendedoras, e tudo o que eles sabem fazer é colocar a culpa nos impostos e chorar pela redução do IPI que, afinal, nunca nem será plenamente repassado para os consumidores. Mas os compradores também precisam mudar de mentalidade e começar a boicotar os preços dos zeros. Os usados vão continuar desvalorizando os mesmos percentuais de sempre, mas a perda em termos absolutos vai ser menor.

Inflação no Brasil

Sempre que falamos em preços acabamos entrando no debate de porque o fantasma da inflação vive assombrando o nosso mercado. Na verdade não é fantasma coisa nenhuma, pois a inflação é algo real aqui no Brasil. Diversas pesquisas já demonstraram quais são as causas de inflação. Algumas causas são inerentemente econômicas, outras não. É justamente o caso do Brasil, acredito. Aqui, a inflação não é simplesmente culpa do excesso de dinheiro no mercado. Então, não adianta quase nada ficar aumentando a taxa de juros, como o Governo tem feito. Aqui no Brasil, diferentemente de outros países, aumentar a taxa de juros só gera retração. O problema da inflação no Brasil é outro. Aqui a inflação ocorre por razões comportamentais e culturais.

Desde o descobrimento do Brasil que existe uma forte tendência de "comodismo" entre os brasileiros. O nosso legado cultural é ganhar mais com o mínimo de esforço possível. Mas o que isso tem a ver com a inflação? Simples. Basta entender um pouquinho de economia. Quando a demanda de um dado produto sobe, e a oferta se mantém constante, os preços também tendem a subir. E é justamente isso o que ocorre no Brasil. O empresário típico do Brasil aumenta os preços sempre que percebe um aumento na demanda. Isso porque a nossa tendência é o comodismo. Não queremos trabalhar mais, então se a demanda está aumentando, vamos aumentar os preços para manter a oferta e não precisarmos trabalhar mais. Em outros países não é assim que funciona. Ao menor sinal de aumento da demanda, os empresários investem no crescimento e aumentam também a oferta do produto. Isso ajuda a manter os preços sob controle e ainda promove o crescimento econômico. Aqui no Brasil, infelizmente, isso não ocorre. Aqui o que vale é a lei do menor esforço.

Aí os preços tendem a subir. O Governo vai e aumenta os juros. Sobra ainda menos dinheiro no mercado para empresários investirem em aumento da produção. Daí a oferta cai mais ainda. Os preços sobem ainda mais. E assim continua o ciclo vicioso. E o Governo se ilude achando que está controlando a inflação. Tirar dinheiro do crédito aos consumidores não tem muito impacto na demanda, pois no Brasil o consumo gira muito em torno de itens essenciais. Então o brasileiro continua comprando, mesmo com os preços altos. O aumento na taxa de juros só provoca mais inflação. E assim as coisas vão piorando cada vez mais.