Pular para o conteúdo principal

TI é ou não uma área estratégica?


A rede de lojas Americanas, a montadora de carros Fiat e o Tribunal Superior Eleitoral: O que essas três organizações têm em comum? Todas elas dependem da TI para entregar seus negócios. Em outras palavras, hoje, sem TI, elas provavelmente não existiriam como as conhecemos. Essa verdade, de que a maioria das empresas hoje dependem fortemente de TI, nos leva a duas perguntas fundamentais: Afinal, TI é ou não uma área estratégica e, se for, o que isso realmente implica? 

Os administradores em geral confundem "área estratégica" com "área fim" e isso os tem levado a cometer erros no posicionamento de TI dentro da organização. Traduzindo em português simples, área fim é aquela ligada diretamente ao seu negócio e área estratégica é aquela imprescindível para a entrega do negócio. Consegue perceber que na prática haverá uma grande sobreposição de conceitos? Por exemplo, podemos afirmar que toda área fim é estratégica. Mas o problema é que muitos administradores acham que só é estratégica aquela área que é fim. E daí relegam a TI para segundo plano e esquecem de ouvi-la antes de tomarem decisões importantes. Se a sua empresa não consegue entregar o negócio sem a ajuda da TI, então esta é uma área estratégica sim! E vamos combinar: Isso já ocorre na grande maioria das empresas. Mas o que significa considerar a TI como sendo estratégica? Significa basicamente três coisas. 

Primeiro, significa que a TI não vai estar subordinada a nenhuma área fim específica, muito menos a uma área não fim. Fico horrorizado às vezes de ver áreas de TI inteiras subordinadas ao departamento administrativo, que nem fim é. Como uma organização assim quer que a TI contribua para o seu negócio? Nessa posição, a TI vai acabar fadada a cuidar da folha de pagamento e sistemas de gestão empresarial. O lugar da área de TI é no topo, ou ligada diretamente ao CEO, ou com a sua própria vice-presidência ou gerência, dependendo da terminologia adotada (veja o organograma acima).

Segundo, se a área de TI é estratégica, então ele deve ter voto ativo na definição do orçamento. E dependendo do ramo da organização, como por exemplo o financeiro, a TI pode consumir a maior parte do orçamento. É o que justamente ocorre nos bancos.

Terceiro, considerar a TI estratégica envolve participá-la de todas as decisões da empresa. Em outras palavras, o CIO deve ter acento fixo e direito a voto nas reuniões do comitê estratégico ou similar.

Bom, espero que este artigo tenha ajudado a ver as implicações práticas de considerar a área de TI estratégica. E na sua empresa? Como isso funciona? Participe postando abaixo o seu comentário!

Comentários

Anônimo disse…
Il semble que vous soyez un expert dans ce domaine, vos remarques sont tres interessantes, merci.

- Daniel

Postagens mais visitadas deste blog

Por que continuamos ensinando a ‘fundir aço’ em vez de resolver problemas?

Título alternativo: Uma nova abordagem para o ensino: do formalismo à aplicação significativa. Nos últimos dias, conversando com um colega que está cursando uma graduação na área de exatas, me deparei com uma constatação preocupante: o modelo de ensino — especialmente o fundamental e médio, mas também o superior — segue obsoleto e ineficaz. Concluí o ensino médio há quase 30 anos e minha última graduação tem mais de duas décadas. O mais impressionante é perceber que, apesar das mudanças tecnológicas e sociais profundas, o ensino formal pouco evoluiu. Em muitos aspectos, até regrediu. A estrutura educacional atual, tanto no Brasil quanto em diversos outros países, permanece atrelada a paradigmas ultrapassados do século XIX, focada em memorização mecânica e em práticas pouco conectadas à realidade contemporânea. Para ilustrar, imagine um curso de marcenaria. Naturalmente, esse curso precisa acontecer dentro de um período limitado de tempo. O que se espera é que o instrutor ensine o a...

Carros 100% elétricos: o que imaginávamos vs o que realmente acontece

Nos últimos anos, os carros 100% elétricos deixaram de ser uma curiosidade tecnológica para se tornarem uma realidade acessível em vários mercados, inclusive no Brasil. Entre as marcas que mais ganharam destaque está a BYD , fabricante chinesa que rapidamente conquistou espaço com veículos modernos, eficientes e competitivos. Como acontece com toda inovação, havia muitas dúvidas e até mitos sobre o que esperar desses automóveis — desde a durabilidade das baterias até a qualidade de construção e o custo de manutenção. Após uma análise prática e comparativa, é possível confrontar o que se pensava inicialmente com o que a experiência real demonstra hoje. A seguir, apresento uma tabela no formato “o que achávamos” vs “o que sabemos agora” , trazendo percepções importantes que ajudam a entender melhor essa nova geração de veículos. Tabela comparativa O que achávamos O que sabemos agora As b...

Modelagem de processos utilizando BPMN: Use as pools da forma correta [a seu favor]

Eu gostaria de ter mais tempo para escrever sobre isso. Mas o tempo urge e ultimamente tenho recebido muitas dúvidas sobre isso. Se você se questiona se deve ou não utilizar BPMN para representar os seus processos, então pode parar por aqui. Se você continuar a ler este texto, vou inferir que você é daqueles que já entendeu a importância de ter uma notação padrão para representar as coisas, e BPMN, mesmo não sendo perfeita, é o padrão para descrever processos. Caso você deseje aprofundar-se no assunto, sugiro ir direto à especificação da notação, que considero bastante clara. No site da OMG ela está livremente disponível . Outro documento muito útil é o  BPMN 2.0 by Example , também disponível no site da OMG. Existem alguns livros, mas se você está começando não recomendo nenhum. A grande dúvida de muitos usuários da notação é sobre como e quando utilizar as pools e swimlanes. Vou direto ao ponto. Pool NÃO é para identificar processo. Podemos ter diversas pools em um mesmo d...