sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Censo do IBGE e o preconceito racial

Norman Rockwell
Você já recebeu o recenseador do IBGE na sua casa? Há alguns dias recebi um lá em casa. Foi a primeira vez que tive a oportunidade de responder o questionário. Uma questão específica do formulário me motivou a escrever este post: "Qual é a sua raça?" Dei uma de joão-sem-braço e respondi: "Como assim?" O recenseador tentou ajudar dizendo algo mais ou menos assim: "O Sr. declara ser de qual raça; as opções são branca, parda, amarela, negro..." Enquanto o rapaz ia falando uma lista quase sem fim de cores, fiquei pensando no quanto aquela pergunta era ridícula. Explico.

A ciência já comprovou que não existem raças humanas. A variação genética é insuficiente para fazer qualquer tipo de distinção. Ou seja, do ponto de vista biológico, a cor da pele é só mais uma dentre as várias características que nos diferem uns dos outros, como a cor do olho, o tamanho da boca, do nariz, a estatura, o tom da voz e assim por diante. Ora, se do ponto de vista científico não existem raças, que dirá do ponto de vista moral! A diferenciação pela cor da pele é totalmente injustificável! Então porque cargas d'água instituições como o IBGE insistem em utilizar essa classificação?

Na minha opinião, classificações como essa só afastam as pessoas, só contribuem para que as pessoas se enxerguem como diferentes e não iguais. Perguntas como essa do questionário do IBGE fazem parte da propaganda preconceituosa à qual somos expostos diariamente para nos fazerem acreditar que não somos semelhantes.

Respondi ao rapaz: "Eu sou ser humano; mas o que você vai marcar aí é problema seu!"

E você? Acha que essa diferenciação contribui para o preconceito?

2 comentários:

PHX disse...

Creio que você foi infeliz na resposta ao recenseador, Samuel.

Primeiro, o cara está trabalhando e foi instruído para fazer as perguntas que se encontram no formulário. Pense que enquanto você estava no conforto de sua residência, ele estava trabalhando. Educação e consideração nunca é demais.

Segundo, apesar do conceito "raça" realmente estar errado (como você mesmo disse sabiamente), a informação é relevante sim.
Existem muitos aspectos que ultrapassam a cor da pele, sobretudo os culturais, que justificam o interesse estatístico quanto à diferença quantitativa das "cores" da população.

É fácil entender.

Samuel Diniz Casimiro disse...

Não concordo com seu ponto de vista. Ele, como funcionário pago, não um voluntário qualquer, estava representando o IBGE. A obrigação dele era, no mínimo, me escutar. Se mais, ele poderia muito bem repassar a minha crítica para cima.

E se, como você diz, os aspectos culturais são relevantes, que isso seja tratado da forma correta, ora bolas! Que perguntem a sua origem, a sua ascendência. Mas nunca a sua raça. Repito: O racismo é algo intolerável.